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  • Osvaldo Shimoda

Vida Afetiva

Vida Afetiva


Como psicoterapeuta e estudioso do comportamento humano, sempre tive interesse em saber como se processam mudanças efetivas no comportamento das pessoas e, em especial, das que apresentam problemas na esfera amorosa, até porque é grande o número de pacientes que me procuram por este motivo em meu consultório.


A dificuldade que muitos encontram em lidar com essa área da vida se reflete também nos romances, novelas, canções populares, onde comumente se falam de amor, traição, ciúmes, rejeição, amor não correspondido, incompreensão etc.


Portanto, é grande o número de pessoas que está em constante busca - sem êxito -, de uma relação amorosa. Esta é uma dificuldade que parece afetar mais frequentemente às mulheres do que os homens (a clientela que me procura por esse motivo é predominantemente feminina), provavelmente porque as mulheres são mais sensíveis em suas necessidades de amor (não que os homens não o sejam) e, portanto, menos capazes de se adaptarem à falta de amor.


Desta forma, as que vivem sozinhas, justificam que só aparecem em suas vidas homens problemáticos, complicados, casados, ou que não querem se envolver e não estão disponíveis.


Em vista disso, é comum muitos seres humanos levarem uma vida cheia de limitações, frustrações e angústias, cultivando o sentimento de não ser amado e/ou nunca poder vir a sê-lo; todavia, mais comum ainda é a pessoa pular de um relacionamento amoroso malsucedido para outro, ou mesmo estar em constante crise pela incapacidade de resolver os seus problemas afetivos.


Por isso, as queixas e indagações mais frequentes que ouço em meu consultório são: "Por que os meus relacionamentos amorosos não dão certo?"


Por que nunca amei e nem fui amada?"


Por que os meus relacionamentos amorosos são tão complicados e conturbados?"


Por que só atraio homens que são agressivos, violentos, possessivos, ciumentos, mesquinhos de afeto que me desvalorizam?"


Por que não consigo gostar de alguém, me vincular afetivamente?"


Por que não consigo me desvincular desse homem, embora saiba que esse relacionamento não vai me levar a lugar algum?"


Freud, o pai da psicanálise, definiu felicidade como "sexualidade e sociabilidade naturais, espontânea satisfação pelo trabalho e capacidade de amar".


O insucesso amoroso, em muitos casos, é decorrente da incapacidade de amar, ou seja, do medo da intimidade (medo de se envolver e acabar sofrendo uma nova desilusão amorosa).


Por conta desse temor, inconscientemente, homens e mulheres "selecionam" pares não disponíveis, ou mesmo com medo também de se envolverem.


No entanto, na maioria dos casos, o encontro entre um homem e uma mulher não é fortuito, acidental, como muitos creem, mas fruto de um resgate, de uma pendência cármica. É o que constato em meu trabalho com a TRE (Terapia Regressiva Evolutiva) - A Terapia do Mentor Espiritual, abordagem psicológica e espiritual breve, criada por mim.


Ao conduzir mais de 50.000 sessões de regressão, onde milhares de homens e mulheres passaram por essa terapia para resolverem os seus problemas afetivos, apenas em alguns casos não consegui estabelecer um elo de vidas passadas. Sendo assim, não tenho dúvidas em afirmar, que muitos casais nesta vida atual já estiveram juntos também em existências passadas. É, portanto, um resgate cármico.


Observo também, na minha prática clínica, que todo relacionamento cármico costuma ser recheado de conflitos, é truncado, difícil, doloroso, não "ata" e nem "desata", com idas e vindas, ou seja, de encontros e desencontros. E, por mais que o casal tente sair desse relacionamento, não consegue, por conta do vínculo de amor e ódio que se criou.


Ressalto aqui, que os seres humanos - encarnados e desencarnados - se unem não só pelo amor, mas também pelo ódio. Estão, portanto, ligados por laços psíquicos, energéticos, advindos de vidas passadas.


Nesses relacionamentos conturbados, frequentemente a TRE, através do mentor espiritual do paciente (ser desencarnado diretamente responsável pela nossa evolução espiritual), revela a causa desse conflito, para que o casal possa se libertar das amarras (bloqueios) de seu passado.


Veja a seguir, o caso de uma paciente que me procurou, porque tinha muito medo da intimidade, ou seja, de se entregar afetivamente no seu relacionamento com o namorado.


Caso Clínico: Medo da Intimidade

Mulher de 28 anos, solteira.


A paciente veio ao meu consultório, querendo entender o porquê de sua insegurança, medo de ser abandonada pelo namorado, caso viesse a contrariá-lo ou desagradá-lo.


Por conta desse temor, não conseguia verbalizar, expressar clara e diretamente sua insatisfação ou contrariedade, diante de determinadas atitudes, por parte do namorado.


Desta forma, ela se fechava num mutismo ou explodia chorando, mas sem expressar verbalmente o que a incomodava. Embora sentisse afeto, amor pelo namorado, tinha também muita dificuldade de se entregar nesse relacionamento, de manifestar o amor que sentia por ele, pois achava que se fizesse isso se sentiria vulnerável, fragilizada, e correria o risco dele se aproveitar de sua "fraqueza" e vir a abandoná-la.


Desde criança, sempre foi muito fechada, introspectiva, sentia uma tristeza, melancolia profunda, um vazio e falta de motivação pela vida, sem encontrar um motivo real que justificasse esses sentimentos.


Em reuniões sociais, preferia se isolar, ficava observando e ouvindo às pessoas e pouco falava.


Reservada, não se abria nem com os seus familiares.


Ao regredir, ela me relatou: "Vejo três crianças - uma menina e dois meninos - me levando para o portão (é um artifício técnico que utilizo na regressão de memória, para que o paciente o atravesse como um portal, que separa o passado do presente, o mundo espiritual do mundo físico. Em verdade, esse portão simboliza a barreira da memória, o "véu do esquecimento do passado" de Allan Kardec).


Eu reconheço a menina, é a mesma que aparece em meus sonhos, desde os meus 15 anos de idade (pausa). Elas estão, agora, me ajudando a atravessar o portão. Essas crianças são entidades espirituais desencarnadas, estão vestidas com um roupão branco até os pés.


Sinto também a presença de meu mentor espiritual, embora não o veja, sei que ele está próximo desse portão (muitos pacientes costumam visualizar o seu mentor espiritual, enquanto outros não o veem, mas intuitivamente sentem a sua presença).


Atravessei o portão e agora estou vendo uma névoa. O lugar me parece ser Londres (paciente estava descrendo uma vida passada). Vejo homens e mulheres andando, numa rua de paralelepípedo. Eu sou mulher, estou andando por essa rua. Uso um vestido preto, pesado, comprido e armado, típico daquela época antiga (ela não soube precisar em que época).

Eu me sinto perdida, confusa, fui abandonada pelo meu marido. Sinto que ele é o meu namorado da vida atual (paciente começa a chorar). Eu não entendo por que ocorreu esse abandono?".


- Volte para antes dessa cena, retroceda para ver o que aconteceu para você ser abandonada?


"Sinto, agora, que o meu mentor espiritual me puxou dessa cena, da rua onde estava nessa vida passada para ficar como uma telespectadora. Ele me pede apenas para observar às cenas de meu passado; faz questão de me lembrar que essas cenas não existem mais, e que esses sentimentos de dor e falta de vontade de viver que senti nessa vida passada, não me pertencem mais.


Vejo, agora, que eu e o meu marido vivíamos uma vida de muita privação, de muita pobreza, embora não tivéssemos filhos.


Nós nos amávamos, mas ele foi em busca de um ganho fácil e me abandonou sem me explicar nada, simplesmente saiu de casa para viver com uma mulher mais velha do que eu. Ela era uma mulher de posses, e eu acabei ficando sozinha (paciente chora copiosamente)".


- Avance mais para frente nessa cena.


"Eu saio caminhando pelas ruas e nunca mais volto para onde a gente morava. Ando sem rumo, sem perspectiva, caio no autoabandono, eu me definho".


- Como você se sente?


"Ele não podia ter feito aquilo! Ando pelas ruas perambulando". (Pausa).


- Avance mais para frente nessa cena, anos depois.


"Perdi a alegria, a vontade de viver, porque não aceitei essa separação. Eu nunca mais o vi... O meu mentor espiritual está me dizendo que nessa vida passada eu devia me desapegar e aprender a amá-lo da forma real, sem cobranças. Deixei de aproveitar e aprender lições importantes.


Fala que foi uma vida em que pouco aprendi porque senti muita mágoa e uma rejeição profunda.


Diz ainda, que eu tinha que aprender a renunciar aos sentimentos de posse, de apego, e deixar o ser amado seguir outros rumos. Mas eu quis que ele ficasse do meu lado.


Agora, ele volta a mostrar a cena daquela vida passada. Estou caminhando na rua, sem destino, sem objetivo. Eu me vejo suja, com roupas esfarrapadas, sofrida, depois desse abandono, sem a menor preocupação de me desvincular do amor não correspondido.


O meu mentor espiritual está me dizendo também, que eu poderia ter feito muitas coisas diferentes. Poderia exercitar o verdadeiro amor pelo próximo trabalhando em comunidades com pessoas, que, como eu, estava passando pelos mesmos problemas.


Esclarece, que se tivesse feito isso, ao invés de me enclausurar na amargura, haveria um reencontro entre eu e o meu marido dessa vida passada para ajustes e aí nós estaríamos vivendo o amor que sentíamos de forma diferente, sem a carga ilusória que nos alimentava. Sendo assim, viveríamos situações que nos levariam ao amadurecimento".


- Vá para o momento de sua morte, nessa vida passada.


"No meu desencarne, levei sentimentos de tristeza e melancolia muito profundos. São os mesmos sentimentos que trago em meu perispírito (corpo espiritual) na vida atual. Fica claro o porquê desde criança sinto um vazio, tristeza e melancolia tão profundos.