Resignação e Passividade

Quando trabalhava como psicoterapeuta convencional, isto é, como psicólogo, não aceitava (e nem entendia) o termo resignação, pois erroneamente achava que uma pessoa resignada era alguém passiva, sem iniciativa, inerte, conformista, fatalista, diante da vida (no dicionário Aurélio, resignação é "a sujeição paciente às agruras, dissabores da vida").


Não distinguia a passividade da resignação, achando que era tudo a mesma coisa, sinônimos.


De fato, uma pessoa passiva é aquela que, talvez por falta de coragem, medo ou insegurança, fica inerte diante das dificuldades da vida.


Por outro lado, uma pessoa resiliente é aquela que tenta de tudo para mudar sua situação de vida, mas não consegue. Então, resigna-se diante do inevitável, aceitando o que não se pode mudar.


Eu era, portanto, ignorante acerca do funcionamento da vida, pois acreditava que somos 100% responsáveis pela condução de nossas vidas, de nossos destinos.


Até que me vi numa situação (na verdade, fui colocado em prova pela espiritualidade, embora, na ocasião, não tivesse essa consciência) em que tentei de tudo para mudar, reverter o meu problema, na época, mas não conseguia.


Isso me deixou muito frustrado, revoltado, indignado e impotente, pois achava que éramos "senhores absolutos" de nossos destinos. Eu acreditava na literatura de autoajuda, onde se prega que você pode mudar sua vida, seu destino, mas que "só depende de você".

Não tinha o esclarecimento, que esse planeta é de provas e expiações, isto é, de testes e reparação de erros cometidos em outras vidas, e que existe, portanto, a lei da causa e efeito (também chamada de lei do retorno, da semeadura, que se traduz no dito popular "Você colhe o que planta").


Posteriormente, vim a compreender que é por isso (em muitos casos) que não podemos mudar determinados acontecimentos em nossas vidas, mas, sim, como vamos reagir a esses acontecimentos, isto é, aprendendo com os erros e acertos, aceitando, resignando com o inevitável, ao invés de nos revoltar, sentindo-nos vítimas, injustiçados diante do que não podemos mudar.


Eu me recordo de um paciente que atendi, um jovem de 25 anos, italiano, de Roma. Ele veio ao meu consultório, em São Paulo, querendo entender por que havia contraído a ELA (Esclerose lateral amiotrófico) – doença neurodegenerativa que afeta os neurônios motores, responsáveis pelos movimentos voluntários, onde ocorre a perda progressiva da força muscular, afetando os movimentos, a fala e a deglutição, causando paralisia. Quando ele veio à essa terapia, a TRE, já estava como cadeirante e tive muita dificuldade de entendê-lo por conta de sua dificuldade de falar.


Mas, no final da terapia, seu mentor espiritual lhe revelou que sua doença era fruto de erros cometidos no passado (ele foi médico nazista, fazia muitos experimentos com os cérebros dos judeus no campo de concentração em Auschwitz, no sul da Polônia).


Seu mentor espiritual lhe disse que no plano espiritual, antes dele reencarnar, ele mesmo pediu para que viesse com essa doença como um processo de depuração de sua alma.


Percebi, também, que a falta de paciência, a intolerância, a presunção, a arrogância em querer controlar a vida, estavam presentes em minhas atitudes.


Certa ocasião, um mentor espiritual falou para o paciente que lhe faltava humildade, pois sua insegurança vinha de querer controlar a vida. Ele lhe indagou: “O que é ser humilde?”.

Seu mentor espiritual lhe respondeu: “É desapegar-se de tudo, menos de Deus; é se curvar diante da vida, deixando que ela o conduza”.


O grande Mestre de Galiléia, Jesus Cristo, fez isso há 2000 anos: deixou que o Pai Celestial, a


Grande Vida do Universo, o conduzisse. Sem sombra de dúvida, era um homem muito humilde, brando, pacífico e amoroso, um ponto fora da curva, ainda nos dias de hoje.


Eu desconhecia a equação, que quanto mais carmas contraímos (dívidas, pendências de erros, ações negativas cometidas no passado), menor é a nossa autonomia, a liberdade de escolhas; o contrário, quanto menos carmas, maior o poder de escolhas, de mudar nossas vidas.


Em outras palavras, a semeadura(ação) é livre, mas a colheita (resultado) é certa, obrigatória.

Quero finalizar esse artigo, com uma oração curta, singela, porém, profunda, de grande sabedoria, e que hoje busco seguir em minha vida:


“Concedei-nos, Senhor, a serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos mudar; coragem para modificar àquelas que podemos e sabedoria para saber distinguir o que posso e o que não posso mudar”.

Caso Clínico: Vida Bloqueada.

Homem de 64 anos, divorciado, dois filhos e uma filha.

O paciente veio ao meu consultório, dizendo que se sentia "prisioneiro de si mesmo", pois não tinha ânimo pela vida, além da falta de desejo sexual.

Sentia, também, que sua vida estava estagnada, pois só conseguia empregos medíocres (era engenheiro), ganhando apenas para sobreviver.


Quando criança, foi rejeitado pelo pai, pois teve uma educação rígida, severa, e, foi criado feito uma "menina"(nunca jogou bola, tinha que ajudar sua mãe nas tarefas domésticas, fazer companhia para ela, o que não ocorria com os seus irmãos).


Aos 14 anos, seu pai lhe deu dinheiro para que fosse a um prostíbulo, praticamente o obrigou a ir para se tornar um homem; a prostituta o ridicularizou pelo tamanho de seu órgão genital, tirou sua roupa, e veio para cima dele, deixando-o muito assustado e amedrontado.


Desde a adolescência, nunca teve uma vida sexual ativa, mas, aos 27 anos, engravidou a sua namorada, que, segundo o paciente, foi uma gravidez intencional, provocada por ela, e daí nasceu sua 1ª filha.


Assumiu a criança, mas, não se casou com a moça, vindo a se casar com outra mulher, onde teve mais dois filhos.

Divorciou-se da esposa, pois ela o agredia muito verbalmente, humilhava-o com frequência, a ponto de expulsá-lo de casa, e, como, na ocasião, estava desempregado, foi morar na rua, tornando-se um indigente, durante sete anos (dormia nas praças, debaixo de viadutos, casas abandonadas, comia restos de comida de fim de feira, etc.).


Nesse período, como morador de rua, ficava perambulando, sem destino, sem rumo, sentindo uma solidão profunda. Veio a essa terapia, querendo entender, também, por que há 30 anos escutava direto, 24 horas ininterrupto, um zumbido nos dois ouvidos.


Fez todos os exames médicos necessários, porém, os médicos não identificaram nenhuma anomalia. Vivia irritado, por conta dos zumbidos.


Por fim, queria saber qual era o seu principal aprendizado nesta encarnação, e, por que sua filha, após ter brigado com ele, cortou as relações, afastando-se dele definitivamente ao se mudar para o exterior (há 17 anos que não a via mais).

Após passar por 4 sessões de regressão, na 5ª sessão, o paciente me relatou: - Vejo um homem barbudo, usa um roupão branco, largo, aparenta ter uns 40 anos...É um ser espiritual, seus olhos são verdes, olha sorrindo para mim. Ele passa muita confiança, é um ser bom, me abraça e diz: - Seja bem-vindo!

- Onde vocês estão? – Pergunto-lhe.


- Vejo um jardim muito bonito...é no plano espiritual, mas estamos dentro de um prédio. Tem uma escada e estamos subindo, chegamos numa sala grande onde só há uma mesa no centro, com duas cadeiras.


Sentamo-nos, mas, agora me levanto, começo a gesticular exaltado, nervoso, e lhe pergunto: - Até quando?!


- Calma, ele me respondeu. Eu digo: - Não aguento mais! Apoio as mãos sobre a mesa, inclino-me para frente, e lhe indago novamente: - Até quando?!


- Calma, ele repete.


- Calma, calma, é só isso que você tem a me dizer? - Falo nervoso.


Ele me diz: - Sei que está muito difícil para você, mas tudo que passou foi para o seu bem. Hoje você é um homem maduro e pronto. Grandes coisas virão em sua vida daqui para frente!


Ele se levanta, pega-me pela mão, e vamos até a janela. Pede para olhar um jardim vasto e florido. Ficamos em silêncio, admirando a bela paisagem da natureza. (pausa).


Agora, eu me vejo no meio de uma rua, é um mercado livre, tem um homem barbudo à minha esquerda, sentado num saco de feijão, que me diz: - Você é meu!

- Sai fora, respondo com ar de desprezo! (pausa).


- Pergunte em pensamento para esse ser espiritual das trevas por que ele lhe diz que você é dele?


- Peço ao paciente.


- Você me pertence, não te libero, pode fazer o que quiser, mas você é meu, fala gargalhando.

- Pergunte o que você lhe fez no passado?


- Diz que não fiz nada, mas que fui ofertado num ritual de magia negra...Vejo a minha ex-namorada, mãe de minha filha, oferecendo o meu retrato num trabalho espiritual... É por isso que esse ser das trevas repete que sou dele. Por que ela fez isso comigo? (pausa).

Agora me vejo afastando dessa cena.

Após o término dessa sessão, pedi-lhe que fizesse a limpeza espiritual dos 21 dias e a oração do perdão à sua ex-namorada.


Na 6ª e última sessão, ele me relatou: - Vejo a cena de quando era morador de rua. Eu falo: - Se isso que estou passando é um teste, então, vou ser aprovado com louvor! No dia que vocês (espiritualidade) quiserem me tirar dessa vida, por favor, me tirem! (pausa).

Eu me vejo sozinho, chorando, pedindo humildemente para o Universo, pois já havia tentado de tudo para sair daquela condição, mas não adiantava.


Percebo que quando falei isso com sinceridade, de coração aberto, estava entregando plenamente à minha vida ao Criador... Agora, vejo uma esfera iluminada à minha frente, que brilha intensamente. (pausa).


- Peça para esse ser espiritual se identificar - Digo ao paciente.


"A esfera brilhante se transforma e aparece a figura daquele homem barbudo que conversou comigo na sessão anterior, vestindo um roupão branco". (pausa).

- Pergunte quem é ele? - Peço ao paciente.


"Diz que é o meu mentor espiritual... Estamos novamente naquela sala grande, com a mesa no centro. Sentamo-nos, e ele fala: - Vamos às perguntas!


Eu lhe pergunto: - Por que tive um pai severo, frio e distante?


Ele me responde, que eu precisava ter um pai com esse perfil, que desde cedo tinha que ter uma disciplina rígida, para não me desviar do caminho.


Esclarece que, numa existência passada, tive uma vida errática, cometi muitos erros. (pausa).


Eu lhe pergunto se, na vida atual, estou cometendo os mesmos erros do passado?


Ele responde, que não. (pausa).

- Pergunte se ele pode lhe revelar quais os erros que você cometeu na vida pretérita?


Só me diz que cometi erros, nada mais (nessa terapia, muitos mentores espirituais preferem não entrar em detalhes do que o paciente fez em outras vidas para não o prejudicar)".

- Pergunte-lhe por que você foi criado pelos seus pais como uma menina?


- Diz que fazia parte também de meu aprendizado, foi uma forma de me colocarem um “cabresto” porque se meus pais me educassem como um menino, certamente iria me desvirtuar novamente, ou seja, iria cair na erraticidade, como ocorreu na vida passada.


Mas afirma que a educação rígida que tive já está surtindo efeito, pois hoje sou uma pessoa diferente. (pausa).


- Diferente como? - Peço-lhe para perguntar ao seu mentor espiritual.


- Fala que hoje sou mais disciplinado, culto, estudado e vivido, do que na existência passada, e que àquela experiência que tive hoje aos 14 anos com a prostituta foi providencial, pois freou a minha vida sexual para que na fase adulta não caísse na promiscuidade, como ocorreu na vida passada".

- E sua falta de desejo sexual, como fica?


- Ele diz que isso vai passar, é para não me preocupar.

- Pergunte-lhe por que você teve que passar pela experiência dolorosa como indigente, morador de rua?


- Fala que foi para servir de exemplo para muita gente.

- Exemplo do quê? E para quem?


- De vida, disciplina, humildade e de entrega a Deus; por isso, tive que passar por tudo isso para que todos vissem à minha virada, ou seja, como dei a volta por cima.

- Todos quem?


- Minha família e muita gente. (pausa).

- Pergunte ao seu mentor espiritual por que você sente tanta solidão?


- Porque ninguém suportaria ficar comigo, por conta desse caminho solitário que tive que passar; sendo assim, estava dentro de meu programa reencarnatório da vida atual viver sozinho, não me envolver afetivamente.


Ele me revela, também, que as mulheres que me relacionei me agrediram, me humilharam para que eu desenvolvesse à humildade e, com isso, não me desvirtuasse do caminho. Mas afirma que, agora, estou pronto, maduro para me envolver afetivamente. (pausa).


Eu lhe pergunto de minha situação financeira, de meu atual emprego, pois não estou satisfeito...


Diz que tudo vai ser resolvido.

- Pergunte-lhe qual é o seu principal aprendizado, sua lição maior na vida atual?


- Fala que é me espiritualizar, e que estou no caminho certo, pois não me desvirtuei.

- Por que sua filha brigou com você e cortou às relações?


- Diz que ela vai voltar, que se arrependeu do que fez, pois é geniosa, mas que aprendeu a lição.

Finaliza o tratamento, falando que procurei a porta certa com essa terapia, e que há muito tempo ele queria esse encontro. Revela que foi ele que me trouxe a essa terapia, a TRE.


Eu lhe agradeço de coração, ele fala que está sempre comigo, pede para que nunca esqueça disso.

Após o término do tratamento, o paciente me deu um feedback por e-mail, dizendo que não estava mais tendo pesadelos (antes do tratamento, quase todas às noites acordava assustado, por conta dos pesadelos), sentia-se mais calmo, sua família estava mais unida, e o zumbido que o atormentava há 30 anos, havia desaparecido.






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