Laço de amor e ódio em família

O grande médium Chico Xavier dizia: “É nas famílias onde costumam se reunir os desafetos do passado”.

Portanto, para se compreender os conflitos familiares, é preciso ampliar a visão de família dentro de uma ótica reencarnacionista.

Neste aspecto, a família não é o resultado de um mero encontro fortuito, onde os membros do grupo estão juntos por acaso, como muitos creem.

Também não é por acaso que ocorrem os conflitos, a discórdia numa família. Neste contexto, a família atende a uma finalidade clara, que é proporcionar a todos uma aprendizagem, uma grande oportunidade - através da convivência - de transformar laços de ódio em amor.

Explica o motivo, por exemplo, de dois inimigos de uma vida passada reencarnarem como mãe e filho.

De todas as relações humanas, não existe, a meu ver, uma relação mais forte, mais visceral do que mãe e filho(a).

Na maternidade, a mulher gera de seu ventre um pequeno ser e, nessa relação, as condições tendem a ser mais propícia para que ambos – outrora, desafetos do passado - se amem e se reconciliem.

No entanto, já presenciei na TRE (Terapia Regressiva Evolutiva) uma paciente regredir ao útero materno e identificar a sua mãe como uma inimiga que tirou sua vida no passado, e, por conta disso, se recusar, dificultar ao máximo o seu nascimento.

Mas, orientada pelo seu mentor espiritual - espírito desencarnado diretamente responsável pela nossa evolução espiritual - de que, desta vez, veio na vida atual, como filha, para se reconciliar com seu desafeto (mãe), sua relação com a mãe melhorou consideravelmente.

Ou seja, através do amor, o laço de ódio que as unia foi rompido.

Por outro lado, é comum que todos os membros de uma família estejam presos, amarrados por um laço antigo de brigas, discórdias, ódio, desamor e desunião, que se repete em várias encarnações.

Esse laço de ódio tem que ser desfeito; caso contrário, a vida de todos não irá deslanchar, ficará emperrada. Mas, para ser desfeito, a chave da libertação de todos é a reconciliação, o perdão.

Veja a seguir, o caso de uma paciente, que queria entender o porquê de sua mãe nutrir ódio por ela e de não conseguir conquistar sua liberdade de morar sozinha, apesar de várias tentativas.

Caso Clínico: Por que a minha mãe tem ódio de mim? Mulher de 25 anos, solteira.

A paciente veio ao meu consultório, querendo saber a razão de não ter um relacionamento harmonioso com sua mãe.

Sempre houve brigas entre as duas, mas se intensificaram (brigas diárias) quando ambas começaram a trabalhar juntas.

Sua mãe sempre foi extremamente ciumenta, possessiva e pouco carinhosa. O pai se envolveu com outra mulher e a paciente sempre esteve no meio para apaziguar a briga dos dois.

Desta forma, foi criada numa família onde sempre presenciou brigas constantes entre os pais, por conta da ciumeira da mãe.

Não teve um modelo relacional de família, onde prevalecesse o amor, o companheirismo, a amizade e a cumplicidade, pois constantemente havia brigas, desamor e desunião entre todos (paciente tem um irmão mais novo).

Por outro lado, seu irmão sempre se manteve distante dessas brigas, fechando-se - nunca falava de sua vida íntima - e se alienando dos problemas familiares.

Em relação ao pai, seu relacionamento sempre foi bom e amistoso.

Queria entender também, por que não conseguia conquistar sua liberdade de morar sozinha (tentou várias vezes se mudar da casa dos pais, mas sempre algo dava errado).

Sempre percebeu que a mãe nunca vibrava, ficava feliz com suas conquistas (sutilmente, nutria inveja) e torcia contra a filha ter sucesso na vida.

Na 6ª e última sessão de regressão, a paciente me relatou: “Vejo uma criança, uma menina, deve ter uns quatro anos de idade. Ela usa um vestidinho comprido, cabelo curto, tipo chanel, castanho; ela é branquinha.

Essa menina, mora com os pais. A mãe é jovem, tem uns 25 anos, branca, cabelos pretos, usa uma roupa antiga, de época, saia comprida.

A filha fica chamando pela mãe, mas ela não dá atenção, fica sentada, bordando. A impressão que tenho é que a mãe está entediada... Tem outra mulher nessa casa. É a empregada.

A menina está chorando e, como a mãe não dá importância, ela a pega no colo e sai andando com a criança (pausa).

Chega agora um homem, também jovem, deve ter uns 30 anos. Ele é o marido dela, fala que vai viajar, mas ela se queixa, diz que ele viaja muito, que ela fica muito sozinha, e que não devia ter se casado com ele.

O marido a consola, mas fala que precisa viajar para resolver um problema de trabalho. Diz ainda, que levará a filha junto. Ela acaba ficando na casa com a empregada.

Mais tarde, descobre que está grávida, e fala para a empregada que não quer essa criança, porque é infeliz.

Ela acabou não tendo a criança, parece que tomou algo e abortou. O marido voltou de viagem, e ela não contou para ele desse aborto. A mãe nem pergunta da filhinha, porque ele não a trouxe junto”.

- Por que o pai não trouxe a filha? - Pergunto à paciente.

“Ele a deixou numa outra casa. A menina tem cinco anos, estuda piano, e o pai a deixou na casa da professora.

O marido pergunta à esposa se ela não vai querer saber de sua filha. Ela fala que não se importa com ela. (Pausa).

Agora, vejo a mãe acordando à noite e flagra o marido com a empregada fazendo sexo. Ela fica com muito ódio, mas finge que não viu nada. Fala para o marido que quer ir embora, vender a casa e se mudar para a cidade onde está a filha.

Eles viajam a cavalo e, no caminho, ocorre um acidente, e o marido fica paralítico. A partir desse fato, ela começa a humilhá-lo, acaba saindo com outros homens, não cuida dele e nem da filha.

Os anos se passaram, a filha se casou, foi embora, só restaram os pais nessa casa, mas ambos ficaram doentes.

A mãe fala para o marido que ele é o culpado por ela estar doente, diz que nunca irá perdoá-lo pela sua traição, e que foi ele que causou sua infelicidade.

O marido pede perdão, diz que já está pagando por ter ficado paralítico, mas ela não o perdoa. Ela acabou falecendo, e a filha vem buscá-lo.

O pai fala à filha que sua mãe nunca irá perdoá-lo pela infelicidade dela. A filha o abraça. (Pausa)

Sinto aqui no consultório, uma presença espiritual... É o meu mentor espiritual. Ele irradia muita luz. (Pausa).

Eu lhe indago se essas cenas que acabei de ver foram realmente uma vivência de minha vida passada? Fico em dúvida, se tudo não foi fruto de minha imaginação.

Ele confirma que tudo que vi foi realmente uma experiência de minha vida passada, e que me mostrou essas cenas para que eu pudesse conhecer melhor quem foi a minha mãe no passado.

Ele esclarece que, nós três, viemos juntos novamente na vida atual, nos mesmos papéis familiares (pai, mãe e filha), com exceção de meu irmão, que não era daquela família.

Diz que a vivência de hoje, foi para eu entender a não carregar os problemas de meus pais, que se repete na encarnação atual.

Diz ainda, que esse laço de família vem de muitas vidas - todos nós - como família, fomos reencarnando juntos, mas, não necessariamente nessa ordem - como pais e filhos.

O meu mentor espiritual me esclarece, que até hoje a minha mãe não perdoa o meu pai - ela guarda um ódio muito antigo, mas que eu não sou a causadora desse sentimento”.

- Pergunte-lhe por que então sua mãe a odeia, não vibra com suas conquistas? - peço à paciente.

“Ele falou que a alma dela não me odeia. Na verdade, a alma dela está muito escura, guarda muitas mágoas de meu pai e de outras pessoas (desafetos de vidas passadas). Por conta disso, por não os perdoar, o laço de família não se desfaz.

Ela precisa, portanto, perdoar, e eu não tenho culpa, não é a mim que ela tem que perdoar, mas, em primeiro lugar, a ela mesma.

Por isso, a minha mãe não tem amor à vida. Por isso, também, tem raiva quando alguém ama à vida. Minha mãe não aceita que as pessoas sejam felizes.

Ele me esclarece, que ela traz esse sentimento de ódio por qualquer pessoa. Ressalta, que o que ela sente por mim não é nada pessoal.

Explica que a chave da libertação da família é a minha mãe. Esse laço familiar tem que ser desfeito. Fala para que todos nós oremos por ela. O amor vai curá-la. Diz que se fizermos a corrente do perdão, a minha mãe irá nos libertar porque sozinha não irá conseguir”.

- Pergunte ao seu mentor espiritual se devemos continuar com o nosso tratamento? – peço-lhe.

“Falou que seria bom a minha mãe vir ao seu consultório fazer essa terapia, mas que antes é necessário a gente fazer a corrente do perdão para que ela aceite vir fazer esse tratamento.

Diz que vai ser uma oportunidade para uma limpeza cármica familiar, e que ainda podemos evitar uma doença grave nela, pois essa doença seria uma forma de minha mãe inconscientemente se vingar de todos nós.

Ele ressalta, que isso pode ser evitado, e que ela ainda pode viver muito feliz. E, se em algum momento, ela quiser discutir comigo, pede para que eu visualize uma luz rosa em volta dela e irradie o amor de Cristo.

Diz ainda que, ao desfazer esse laço familiar, através do amor, cada um vai poder seguir o seu rumo.

Ele me abraçou, estou andando em direção à escada (é um recurso técnico que utilizo na regressão para o paciente subir e voltar para o consultório), subi alguns degraus, tem uma chave na escada.

Abaixei e peguei a chave. Perguntei-lhe o que era aquela chave? Ele falou para levá-la comigo, pois é a chave de uma conquista que está em minhas mãos”.

- Que conquista? - Perguntei à paciente.

“É a de um objetivo que quero muito - comprar uma casa. Guardei a chave e subo às escadas... Agora estou aqui no consultório. O meu mentor espiritual já não está mais”.

- Como você se sente? – Perguntei-lhe.

“Estou bem, tranquila, em paz, esperançosa. Vou orar pela minha mãe e depois trazê-la para fazer essa terapia”.

Seis meses, após o término da terapia, a paciente trouxe sua mãe para fazer a TRE e, através da orientação de seu mentor espiritual, a relação familiar melhorou consideravelmente, pois, o laço de ódio e discórdia se desfez entre todos.




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