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 Carma Familiar

:: Osvaldo Shimoda ::

Cada pessoa decide como viverá e como morrerá, e a esse plano, que leva na cabeça aonde for, denominamos script. Sua conduta trivial pode decidi-la pela razão, mas suas decisões importantes já estão tomadas, com que tipo de pessoa se casará, quantos filhos terá, em que tipo de cama morrerá, e quem estará consigo quando morrer.
Eric Berne


Por que a minha família não consegue prosperar por mais que a gente trabalhe duro?
Por que a minha família e os meus parentes se suicidaram ou tentaram o suicídio?
Por que toda a minha família toma antidepressivos?
Por que os casamentos de meus avós, pais, irmãos(as), terminaram em separação?
Essas e outras queixas são as mais comuns de pacientes que vêm ao meu consultório para se libertarem do carma familiar.
A palavra Karma é derivada do sânscrito Kri, que significa ação ou fazer. Etimologicamente, esta palavra (karma ou carma) quer dizer os efeitos das ações, e metafisicamente significa o efeito provocado por nossas ações anteriores, isto é, de outras vidas.

De acordo com as milenares escrituras hindus, Karma é a lei equilibradora da causa e efeito, da ação e reação, da semeadura e colheita. Portanto, através de nossos pensamentos e ações, modelamos o nosso destino. Em outras palavras: nós colhemos inevitavelmente o que plantamos no passado (lei da semeadura).
Buda dizia que a roda cármica da vida - roda da samsara - gera sofrimento, pois o círculo vicioso dos mesmos erros cometidos pelo ser humano em sucessivas encarnações faz com que ele não consiga se libertar, sair dele. Sendo assim, é um destrutivo Script, roteiro de vida, que em sucessivas encarnações, muitas famílias vêm repetindo. Em suma, os membros da família não conseguem reescrever suas vidas, mudando-as.

Veja, como exemplo, o caso da sina dos Kennedy, onde os membros do clã morreram assassinados (John Kennedy, presidente dos EUA, e o seu irmão, o senador Bob Kennedy); em acidentes aéreos (o avô e o filho de John Kennedy), ou sofreram acidentes graves (o senador Ted Kennedy, outro irmão do presidente, foi vítima de um acidente grave de carro, no qual sua secretária veio a falecer, e seu sobrinho teve que amputar uma perna ao se acidentar quando estava esquiando).
Portanto, o carma familiar de alguns dos Kennedy foi terminar sua vida em tragédia.
Já em outras famílias, o carma é de loucura, em que os membros são acometidos de algum tipo de distúrbio psiquiátrico.
Atendi um paciente, cujo histórico familiar -desde seu bisavô paterno até os bisnetos- era de esquizofrenia.
Por isso, a TRE busca adotar com os pacientes a máxima secular de Cristo Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará para que possam se libertar da roda cármica familiar.
Nessa terapia, os membros da família se conscientizam -através de seus respectivos mentores espirituais- dos erros cometidos por eles em vidas passadas. É o caso, por exemplo, de um paciente que veio com o seu irmão -sua família era constituída pelos pais e cinco filhos- para entenderem por que não prosperavam financeiramente. Quando os dois irmãos passaram pela regressão de memória, seus mentores espirituais lhes mostraram a causa do insucesso financeiro familiar: numa vida passada, eles saquearam, roubaram e mataram os habitantes de um povoado.
Seus mentores espirituais aconselharam toda a família a fazer a oração do perdão de coração para que seus obsessores espirituais -cujas vidas foram ceifadas por essa família na encarnação passada- se libertassem das trevas. Após ajudá-los a irem para a Luz, todos os membros da família começaram a prosperar, conseguindo, dessa forma, reescrever suas vidas, mudando o carma familiar que os levou ao insucesso financeiro.

Caso Clínico:
CARMA FAMILIAR


Veio ao meu consultório uma jovem de 23 anos; queria respostas, pois sentia que se não resolvesse sua vida iria teria o mesmo da mãe. A paciente assim me relatou:

Dr. Osvaldo, moro com os meus pais e uma irmã de 25 anos; temos uma boa moradia, trabalhamos, e o único que não trabalha é o meu pai, por conta de um acidente de carro que o deixou inválido, logo que eu nasci. Até aqui o senhor pode dizer que a minha vida é normal; no entanto, eu e minha irmã -quando estávamos firmes em nossos relacionamentos afetivos-, perdemos os noivos em acidentes de carro.
Ela quando faltava um mês para o casamento.
Meu namorado perdeu a vida ao colidir seu carro com um caminhão quando estava vindo em minha casa para conhecer meus pais.
Minha mãe confidenciou para minha irmã que ela tinha também perdido um noivo antes de conhecer o meu pai, e ele, apesar de não ter morrido, praticamente hoje leva uma vida vegetativa, pois não sabe quem somos e não fala com minha mãe. Ela toma conta dele como se fosse uma criança.
Não quero acreditar que somos amaldiçoadas, como disse a minha avó, mãe do meu pai!
Não sei, Dr. Osvaldo, sinto minha mãe um pouco confusa, vejo medo nos olhos dela quando a gente está namorando, minha irmã está depressiva, não quer sair de casa; eu quero ajudá-la e também me ajudar, quero entender, fico me perguntando como fazer para que ninguém mais sofra...
Será que eu e minha irmã teremos o mesmo fim da minha mãe? Será que temos uma ‘maldição’? Não sei, estou muito confusa.

Após o relato da paciente, sugeri que não só ela, mas que também sua irmã, ambas, fizessem o tratamento: uma comigo e a outra com o outro terapeuta, o Joshua.

Marcamos a primeira sessão já para o dia seguinte e, para o nosso espanto, as duas retrataram o mesmo conteúdo nas sessões de regressão. Ou seja, ao descerem as escadas (recurso técnico que sempre utilizamos nessa terapia para que o paciente possa aprofundar em seu relaxamento), as duas viram mulheres com vestes pretas da cabeça aos pés, com capuz. Eram mulheres bonitas, feiticeiras, e elas acreditavam que os homens só serviam para a reprodução; por isso os matavam e alguns de seus órgãos -como o coração- eram comidos por elas. Muitos homens se apaixonaram por elas chegando a largarem tudo, inclusive suas famílias, para segui-las; porém, quando os tinham em suas mãos, após o ato sexual, os matavam.

Nesta sessão, apareceram também os mentores espirituais de cada uma, que as levaram para um outro lugar (trevas) onde viram alguns dos homens que elas tinham matado: havia ódio e revolta nos olhos deles; eles disseram que elas (as irmãs) não teriam paz, e que qualquer homem com que elas tivessem um envolvimento mais sério, iria morrer.
Descobriram também que a mãe delas da vida atual era uma daquelas mulheres feiticeiras da vida pretérita. Ela era a líder do grupo.
Os mentores das duas pediram para que elas dessem continuidade no tratamento num outro dia e deram 10 dias para que fizessem juntas com a mãe a oração do perdão para aqueles seres que estavam nas trevas, seus obsessores espirituais.

Após os 10 dias, as irmãs voltaram para a segunda sessão de regressão: eu fiquei com uma paciente e o Joshua com a outra irmã e nesse dia, a mãe veio para acompanhar.
A mesma história se repetiu com as duas, ou seja, ambas trouxeram o mesmo conteúdo da primeira sessão de regressão. Após ouvir o relato de uma das filhas do que fizeram na vida passada, a mãe arrependida ajoelhou-se na minha sala, chorando copiosamente, e pediu perdão aos obsessores espirituais para que as filhas fossem poupadas, já que com ela não havia como reverter, mas que com as filhas fosse diferente, pois eram boas pessoas e estavam ali também para pedirem perdão. Emocionados, começamos a orar baixinho e, então, um daqueles seres disse que todos iriam embora, que iriam deixá-las em paz, pois realmente sentiram sinceridade no perdão; porém, pediu para que as duas irmãs adotassem uma criança com algum problema de doença para sentirem o que elas fizeram com eles, bem como com os seus familiares.
Assim, ficou acertado com esses seres obsessores, que eles não mais iriam tirar as vidas de seus eventuais parceiros, mas que elas teriam que adotar uma criança.

Ao término das sessões, mãe e filhas se abraçaram, chorando muito, e agradeceram aos seus mentores, bem como aos obsessores espirituais.

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